O FIM DA FILA – Resumo e histórico do projeto

THE END OF THE LINE – Synopsis, concept and development*

*Read the English version after the Portuguese text


RESUMO

Trata-se de um livro sem texto, cuja linguagem visual se baseia na arte indígena brasileira. Não houve intenção de sugerir uma ou outra etnia em especial, mas de “beber” da expressão de vários grupos diferentes. De todo o material colhido durante a pesquisa formou-se um “mix” de referências visuais, a partir do qual foi desenvolvido o trabalho.

A narrativa tem como base uma fila de animais, como se uma câmera por ela passeasse. Não se sabe inicialmente o motivo da fila, mas no decorrer da história surgem situações que permitem leituras diversas, conforme a interpretação de cada um.

Quanto à aparência final do livro, a opção pelas duas cores – assim como a opção pelo papel rústico – foi conseqüência da linguagem escolhida. Invariavelmente, nossas tribos indígenas utilizam o vermelho e o preto nas pinturas em cerâmica ou nas pinturas corporais, cores obtidas por meio do urucum (semente que produz um forte tom de vermelho) e do jenipapo (fruto).

ORIGEM DO PROJETO - Como tudo começou?

Nos idos de 2001, recebi do editor José Luiz Prado, com quem trabalhava à época (atualmente um amigo), o desafio de criar um livro de imagem – categoria de obra sem texto, onde a narrativa se dá apenas por imagens, e na qual muita gente boa já se aventurou (Juarez Machado, Eva Furnari, Angela Lago, Roger Mello, Mauricio Veneza, André Neves, entre outros).

A idéia me pareceu ótima e comecei a rabiscar, já partindo do princípio de que trabalharia com animais, tema recorrente na minha trajetória de ilustrador. Dos primeiros esboços, surgiu o conceito da FILA – mais tarde eu perceberia que ele não veio por acaso, e que as filas (ou personagens enfileirados) já tinham aparecido em alguns trabalhos anteriores, sem que eu me desse conta. Uma prova disso é a própria ilustração inicial do blog, concebida para o livro Mistérios da Pindorama no ano de 2000.

O segundo fator-chave na concepção do projeto foi o da linguagem a ser utilizada. Optei por buscar uma “cara” bem brasileira para o livro, bebendo da arte indígena tanto no seu traço e grafismo como na escolha das cores.

A tal fila, em seus primórdios, tinha sido um pretexto para diversas situações cômicas entre os personagens, com muitas expressões e interferências gráficas típicas dos quadrinhos (lembro até de um macaco sorveteiro). Conforme desenvolvia o projeto, fui me voltando mais para o grafismo étnico do que para o quadrinho, e diminuindo, mas não abandonando, a utilização do humor.

O estudo do desenho étnico há muito me fascinava, sempre gostei de explorar a enorme variedade de representações para um mesmo objeto (ou ser), conforme a cultura que o representava. Assim, a tendência natural acabou sendo, na narrativa visual a que me propunha, a de explorar a riqueza do traço de um determinado grupo cultural (sempre me perguntava: como eles, os índios, representariam isso?). Por fim, decidi que trabalharia com um papel rústico.

Quanto ao fio condutor da narrativa, muita coisa foi surgindo no processo de amadurecimento e lapidação do trabalho. Vi que várias leituras possíveis fluíam gradativamente dos desenhos, permitindo que cada leitor pudesse interpretar da sua própria maneira. Conceitos como os de ciclo, identidade e metalinguagem passavam a conviver no trabalho com temas como o folclore e a fauna brasileira, propositalmente ou não.

De 2001 pra cá, muita coisa aconteceu. O trabalho não foi produzido à época, o José Luiz saiu da editora em que trabalhávamos e eu passei um tempo achando que o projeto precisava amadurecer um pouco mais (acho que eu estava certo). Mais tarde, mostrei-o a algumas poucas editoras que, porém, já tinham uma lista de títulos engatilhados, sem espaço para mais um. Fui desanimando, e meu tempo diminuindo. Em 2004, fiz uma opção de vida na qual a criação artística não seria mais o meu ganha-pão principal. Aprovado num concurso público, preferi me concentrar por inteiro na nova atividade, até então completamente desconhecida. E os desenhos ficaram pra trás (fiquei parado por cinco anos), embora sempre existisse a idéia de um dia retornar (desenho e criatividade podem estagnar-se, mas não se desaprende). Volta e meia me perguntava: será que um dia aquele projeto sai?

RESGATE DO PROJETO – De como ele saiu do "fim da fila"


No final de 2009, um telefonema trouxe boas novas: o mesmo José Luiz estava em uma nova editora (Rovelle), começando um trabalho de seleção de títulos e queria saber se aquele antigo livro de imagem já tinha sido produzido. O resultado vocês já deduziram – com o projeto mais amadurecido, sobretudo em seu final (era a parte mais difícil de resolver), finalmente parti para a artefinalização dos desenhos. Enquanto isso, discussões com o editorial fecharam detalhes como a adequação do papel. A melhor solução foi mesmo o Kraft, que conferia ao livro a rusticidade pretendida. Produzidas inicialmente em preto e branco, as ilustrações foram digitalmente convertidas em duas cores, processo no qual foi inserido o vermelho (impresso como cor especial).

Enfim, dez anos depois, saía da gaveta (ou do fim da fila) o projeto: estava pronto O FIM DA FILA.

NOTA: Toda a equipe da Rovelle foi muito parceira na realização do trabalho.


TRAJETÓRIA DO LIVRO – Publicações no exterior, prêmios e menções


"O fim da fila" foi muito bem recebido pela crítica especializada. Seguem abaixo links de resenhas críticas nacionais sobre o livro:


Blog DOBRAS DA LEITURA:

Em 2015 foi publicada a primeira edição estrangeira do livro, mais precisamente sua versão em alemão produzida pela editora Suíça Baobab Books. Hoje o livro encontra-se publicado por quatro editoras estrangeiras, sendo comercializado em vários países:

– Em alemão – Baobab Books: Suíça, Alemanha e Áustria;


– Em espanhol – Fondo de Cultura Económica (México): Todo o mundo hispânico;


– Em coreano – Nami Books: Coreia do Sul;


– Em chinês – CCPPG: China.



"O fim da fila" obteve ainda importantes prêmios e menções no exterior:



• Grand Prix do Nami Island Picture Book Concours, Coreia do Sul 2015 

 The White Ravens - Biblioteca de Munique, Alemanha 2012

• Finalista do German Literature Award, categoria Picture Book, Alemanha 2016

• Finalista do Most Beautiful German Books of the Year, categoria infantil, Alemanha 2016

• Lista Illustrationspreis da Gemeinschaftswerk der Evangelischen Publizistik, Alemanha 2016

CURTA ANIMADO


Em 2016, foi concluída a versão em desenho animado de "O fim da fila" (02:47). Parcialmente viabilizado por financiamento coletivo (crowdfunding), o curta foi selecionado para vários festivais internacionais de animação, inclusive o Anima Mundi 2016. 

Para acompanhar sua agenda de exibição nacional ou participações em festivais mundo afora, é só acessar sua página no facebook: 

https://www.facebook.com/ofimdafilaanimacao/?pnref=story 





*ABSTRACT

This is a non-text book. Its visual language is based on Brazilian indigenous art. There was no intention of making reference to a specific ethnic group, but rather use the art of several different tribes. A mix of visual references was put up together based on the material selected during the research.

The narrative deals with a line of animals, as if a camera pans along the row. Initially there is no clue why the line is formed, but during the course of the story several situations arise. Such situations allow different readings according to one’s own interpretation.

As to the book’s final layout, the two colors, as well as the rustic paper, were chosen due to the language employed. Invariably, our indigenous tribes use red and black colors in earthenware or body paintings. Such colors come from urucum (a seed that produces a strong shade of red) and from jenipapo (a Brazilian fruit).

THE ORIGINS – How did it all start?

Around 2001, I was challenged by publisher José Luiz Prado (now a close friend of mine) to create an image book – a type of book without text, in which the narrative develops through pictures only. Several amazing Brazilian authors such as Juarez Machado, Eva Furnari, Angela Lago, Roger Mello, Mauricio Veneza, André Neves, among others, have excelled in this art form.

The idea sounded great to me and I started sketching right away. From the beginning I knew I would work with animal characters, a theme which is recurrent in my career. From the very first drawings the concept of a LINE was born – I would later realize that this was not out of the blue; the lines (or characters in a line) had already appeared in previous works. For instance, note the cover illustration of my blog, which was meant to be part of the book Mistérios da Pindorama, published in 2000.

The second key element in the project’s development was the language employed. I chose to apply a real Brazilian look to it, influenced by indigenous art in graphic style and color choices.

The line in its origins was an excuse for inserting several funny interactions among the characters, with expressions and graphic interferences commonly found in comics (I remember there was even a monkey with an ice cream cart). As the project matured, I gradually chose the ethnic graphics over the comics style. I also toned down (but I have not abandoned altogether) the use of humor.

I have long been fascinated by the study of the ethnic drawing. I have always enjoyed exploring the huge variety of graphic representations for a specific object (or being) according to the culture representing it. Therefore, the natural tendency was to explore the richness of the style of a certain cultural group (I have always wondered: how would Brazilian Indians depict this?). Finally, I decided to work with rustic paper.

In relation to the storyline, a lot of things came up during the process of the work. I noticed that several possible readings would gradually flow from the drawings, allowing each reader to interpret the pictures according to one’s own mind. Concepts such as cycles, identity and metalanguage were fully integrated with themes such as folklore and Brazilian fauna, on purpose or not.

From 2001 on, a lot of things have happened. The book was not published that year. José Luiz left the publishing house we both worked at the time and I thought that the project needed some time to mature (I believe I was right). Later, I showed the project to a few publishing houses which had already several other books to be released, and there was no room for another one. I got frustrated and lacked time to get things going. In 2004 I made a career choice in which artistic creation would no longer be my main means of living. I became a civil servant and I needed some time to fully understand my new activities. I left my drawings behind for five years, even though I have always wanted to go back to them (drawing and creation may come to a standstill, however you never forget how to put them into practice). Time and again I wondered: will that book ever come to light?
  
THE PROJECT COMEBACK – Out of the shelf

By the end of 2009, I received a pleasant phone call: the same José Luiz was in a new publishing house – Rovelle. He was looking for new titles and he would like to publish my image book. The rest is history. With a more mature project, especially in relation to its ending (the hardest part to sort out), finally the artworks were made. Meanwhile, there were discussions in relation to the most adequate paper. The best solution was kraft paper, which offered the desired primitive feel.  Initially drawn in black and white, the illustrations were digitally converted into two colors, when red was inserted.

At last, ten years later THE END OF THE LINE was ready to go.

NOTE: All staff at Rovelle was truly committed to the project.



TRAJECTORY OF THE BOOK – Publications abroad, awards and mentions

"The end of the line" was very well received by book reviews (Brazil and abroad):


In 2015 the book's first foreign edition was published, by Swiss Publishing House Baobab Books. Nowadays "The end of the line" is published by four foreign publishers and it is been sold in many countries: 


– German version – Baobab Books: Switzerland, Germany and Austria;

– Spanish version – Fondo de Cultura Económica (México): Exclusivity in all Spanish areas;

– Korean version – Nami Books: South Korea;

– Chinese version – CCPPG: China.


"O fim da fila" also received some important mentions and awards abroad:

• Grand Prix of The 2nd Nami Island Picture Book Concours, Korea  2015 

 The White Ravens - IJB, International Youth Library, Germany  2012

• Nominee of German Literature Award, Picture Book category, Germany  2016

• Nominee of The Most Beautiful German Books of the Year, Children category, Germany  2016

Illustrationspreis List of Gemeinschaftswerk der Evangelischen Publizistik, Germany  2016


SHORT ANIMATED MOVIE

In 2016, the animated version of "The end of the line" was finished (02:47). It was supported with the help of many friends through a crowdfunding project. The short movie was already classified to many international animation festivals in Brazil and Eastern Europe.
Its schedule can be followed through its facebook page: 

https://www.facebook.com/ofimdafilaanimacao/?pnref=story